sexta-feira, 16 de agosto de 2013

 Lançamento de O Anarquismo e os Sindicatos Operários - Fernand Pelloutier (Rio de Janeiro)
Lançamento de O Anarquismo e os Sindicatos Operários - Fernand Pelloutier (São Paulo)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Escritos sobre a Imprensa Operária da Primeira República - João Gabriel Mateus da Fonseca





“Ação direta ensina a viver sem tutela”: o aspecto pedagógico da luta política na imprensa anarquista e operária brasileira

Repudiamos [...] a ação eleitoral e parlamentar, que só serve para reforçar o Estado [...] e adormecer as energias populares. O nosso método é ação direta que [...] tende a despertar a iniciativa e a coragem, leva a agir por conta própria, a unir-se, a viver sem tutela [...] preconizamos (como meios de ação direta) a greve, a boicotagem, a sabotagem, a agitação de praça, o comício, a greve geral, e por fim a insurreição e a expropriação a que os oprimidos e explorados devem recorrer, se a isso levados pela necessidade e pela consciência da sua própria força.

Ao enunciar sua definição dos militantes engajados com o jornal A Plebe, Neno Vasco introduziu uma imagem capaz de traduzir o aspecto essencialmente pedagógico do qual estava profundamente impregnada a luta política levada a cabo pela imprensa anarquista e operária, durante o contexto que abarca o período da Primeira República no Brasil.Inscrevendo a ação direta no cerne da política, Neno Vasco e seus companheiros de viagem apostavam na possibilidade de o proletariado aprender, por si mesmo, a lutar em prol dos interesses da sua classe social, construir a consciência dos antagonismos entre capital-trabalho, superar a função do Estado e, por conseguinte, revolucionar a sociedade capitalista, fato que tornaria exequível sua reconstrução ulterior em direção ao socialismo.
Perscrutar esse aspecto sublinhado por Neno Vasco constitui o objetivo maior do trabalho de João Gabriel da Fonseca. Resultado de pesquisa e redação de monografia defendida junto ao Curso de História do Instituto Federal de Goiás, o livro deste jovem pesquisador lança um novo olhar sobre os aspectos “formais” e “informais” do projeto político-pedagógico do jornal A Plebe, durante A Semana Trágica de 1917 na cidade  de São Paulo, momento  particularmente rico do “sonhar libertário”, para evocar aqui a feliz expressão de Cristina Hebling Campos.
Breve, porém, intensa em termos de agitação social, A Semana Trágica assume na narrativa tramada pelo autor mais que meros sete dias de existência. Privilegiando os múltiplos fatores que a tornaram possível, João Gabriel da Fonseca coloca em evidência a luta contra a carestia de vida, a diminuição da jornada diária para 08 horas, a regulamentação do trabalho infantil e feminino, as ressonâncias da Revolução Russa, o assassinato do operário José Martinez, os saques ao Moinho Santista, o emergir das Ligas Operárias de Bairro e o papel do Comitê de Defesa Proletária.
No entanto, ela não se reduz a isso. Distanciando-se das interpretações esquemáticas e simplistas, o historiador recusa-se a ver n’A Semana Trágica um ato puramente espontaneista dos trabalhadores por um lado, ou como a ação diretiva de uma vanguarda política por outro. Pelo contrário, ela revelaria o processo de enraizamento e duração da estratégia de ação direta, forma pela qual o anarquismo exerceu sua hegemonia no interior do movimento operário brasileiro, que se encontrava presente nas lutas contra o patronato desde a aurora do século XX. 
Das atividades nos sindicatos até as intervenções nas escolas racionalistas, passando pela crítica ao militarismo e a luta anticlerical, João Gabriel da Fonseca nos mostra o papel não desprezível que A Plebe, surgida no entremeio d’ A Semana Trágica, desempenhou enquanto centro de aglutinação e irradiação de um projeto político-pedagógico que conferiu à ação direta a difícil tarefa de ensinar os trabalhadores a viverem sem tutela.
Na sua luta pela autonomia, esse projeto não se restringiu as formas tradicionais de educação política, que visavam persuadir os trabalhadores racionalmente por meio da propaganda doutrinária. Ao lado dessa forma de educação política, vemos surgir nas páginas d’ A Plebe , uma outra, que integra, mas, ao mesmo tempo ,transcende a sua dimensão puramente racional; fato que não se furta à análise extremamente cuidadosa de João Gabriel da Fonseca.
 Em conjunto com os panfletos, ensaios, informes e demais gêneros literários cuja fisionomia se aparenta, o autor também se detêm nos gêneros literários que não podem ser tomados apenas como formas de propaganda dirigida, tais como as caricaturas, poesias e crônicas. Com objetivos semelhantes, porém com funções diferentes, esses gêneros literários tinham como finalidade mais sensibilizar do que persuadir os trabalhadores na sua luta contra o capital, mostrando que a autonomia é uma conquista que passa tanto pelo intelecto quanto pelo coração.
Se analisada a partir dessa perspectiva, o aspecto pedagógico da luta política enfatizado por Edgard Leuenroth, Florentino de Carvalho, Adelino Pinho e os demais articulistas d’ A Plebe ganha outro sentido, muito mais profundo e abrangente. Tal como é entendido pelo autor, a luta política é, em si mesma, tomada como um processo pedagógico. Não se tratou, obviamente, de um projeto que visava criar uma escola aonde o militante “iluminado” viria, em um passe de mágica, fazer com que os trabalhadores aprendessem o socialismo, mas, antes fazer com que as organizações que lutavam pelo socialismo tivessem um caráter pedagógico.
O constante esforço dos anarquistas para retirar os trabalhadores da apatia e incitá-los à ação, o qual eles responderam de modo positivo e efetivo, talvez nos ajude a entender a reação violenta dos poderes instituídos na semana de 09 a 16 de julho do ano de 1917. Afinal de contas, nada mais perigoso a uma República cujo cimento da dominação estava assentado na dependência clientelista do que um movimento operário que agia de modo totalmente autônomo. Em virtude disso, o governo de São Paulo agiu de forma tão repressiva em relação aos movimentos grevistas que eclodiram na cidade no referido ano, procurando a todo custo erradicar os indesejáveis anarquistas, como se estes fossem plantas exóticas de impossível aclimatação em um solo tido  como ordeiro e pacífico, imagem esta que foi constantemente reatualizada e ritualizada pelas elites nacionais da época, quando tratou-se de deslegitimar toda  a  resistência por parte do jovem proletariado brasileiro contra o nascente capitalismo industrial.
Quase um século nos separa dos personagens dessa história que nos é contada pelo autor, o que pode gerar certo estranhamento no leitor que se dispuser a enfrentar o presente livro. Em uma época em que se anuncia “ o fim das utopias”, “ o desencantamento do mundo”, “ a ascensão da insignificância”, “ a amargura da história”, entre outros lugares para designar  o mundo dito “pós-moderno”, em que toda e qualquer forma de tentativa de mudar a sociedade constitui uma quimera irrealizável, o projeto político-pedagógico levado a cabo pelos anarquistas antes, durante e depois d’ A Semana Trágica parece algo arcaico e obsoleto.
Entretanto fica aqui o convite, em forma de desafio, para o leitor refletir se o livro é ou não contemporâneo ao século XXI, século que parece desconhecer a sábia lição extraída de Rosa Luxemburgo, também libertária, em face das reiteradas e frequentes derrotas do movimento socialista no século XX, bem como sua dimensão eminentemente pedagógica: “ Não estamos derrotados. Ao contrário, venceremos, se não tivermos desaprendido a aprender”.


Thiago Lemos Silva


Aqueles que tiverem interesse em adquirir o livro, podem entrar em contato com o autor pelo e-mail:joaogabriel_fonseca@hotmail.com







 

Terra Preta Encontro Libertário 30 de agosto a 01 de setembro na Ocupação Guarani-Kaiowá (CONTAGEM/MG)


domingo, 14 de julho de 2013

COLÓQUIO INTERNACIONAL CIÊNCIA E ANARQUISMO 11 a 14 de NOVEMBRO de 2013 – FFLCH, USP

Ao longo dos últimos anos a Biblioteca Terra Livre tem concentrado esforços com o intuito de difundir as ideias anarquistas nos mais variados espaços. Nosso trabalho de difusão busca propagar as ideias libertarias tanto através de meios materiais (livros, livretos, filmes, etc.) como por meio da organização de atividades públicas (cineclubes, debates, seminários, feiras e colóquios). Nos últimos dois anos tivemos a experiência de realizar o Colóquio Internacional Élisée Reclus e a Geografia do Novo Mundo, em 2011, em conjunto com o Laboratório de Geografia Política da Universidade de São Paulo, bem como de realizar em 2012 o Colóquio Internacional Educação Libertária: 100 anos da Escola Moderna de São Paulo. Este segundo colóquio não contou com nenhum apoio ou participação institucional, sendo organizado pelos membros da Biblioteca e através do apoio de alguns companheiros e companheiras.
Outro fato importante na organização deste segundo Colóquio foi a participação de diversos indivíduos e grupos que através de um esforço coletivo se cotizaram para estar presente e compartilhar experiências de suas práticas. Ao longo do evento contamos com a participação de membros da Fédération Anarchiste – FA (França), Grupo de Estudios José Domingo Goméz Rojas (Chile), Federación Libertaria Argentina – FLA (Argentina), Ateneu Heber Nieto (Uruguai), bem como de pessoas e grupos de diversas partes do Brasil.
A experiência proveniente deste encontro nos estimulou a tentar ir mais longe. Para este ano organizaremos, no mês no novembro, o Colóquio Internacional Ciência e Anarquismo, com o intuito de tencionar sobre a produção do conhecimento científico a partir de uma perspectiva anarquista.
A estrutura do evento está sendo pensada na forma de mesas temáticas por área de conhecimento. Nossa intenção é possibilitar a um grande público uma reflexão que tem estado ausente nos espaços “tradicionais” de produção do conhecimento. O intuito do Colóquio é mostrar que o anarquismo, além de sua perspectiva teórica de análise e produção do conhecimento, também é uma prática de organização, onde através da auto organização os grupos e indivíduos se apoiam mutuamente a fim de garantir uma ação comum.
Nós entendemos que os esforços e os trabalhos para garantir o financiamento para a vinda de companheiras e companheiros para São Paulo é algo muito oneroso e demanda muito esforço, mas entendemos que as possibilidades que podem ser criadas fazem valer os esforços.
A fim de tentar possibilitar um apoio econômico e ampliar os espaços de diálogo e ação, organizaremos na véspera do Colóquio a IV Feira Anarquista de São Paulo. Esperamos que com a realização da Feira Anarquista em conjunto com o Colóquio possamos permitir uma ampla possibilidade de trocas e contatos durante o período, bem como a possibilidade de cada um dos grupos e indivíduos buscarem um apoio econômico com a venda de alguns materiais durante a Feira e o Colóquio.
São Paulo, 10 de maio de 2013,
Biblioteca Terra Livre

https://cienciaeanarquismo.milharal.org

IV FEIRA ANARQUISTA DE SÃO PAULO

A Biblioteca Terra Livre organiza a IV Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.
Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.
Paralelamente à mostra editorial haverá dezenas de palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.

Todas e todos estão convidados!
Data: Domingo 10 de novembro de 2013
Horário: das 10h às 20h
Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa
Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo, SP, Brasil
Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa.
Entrada Gratuita.
Organização:
Biblioteca Terra Livre
http://bibliotecaterralivre.noblogs.org
Caixa Postal 195
CEP: 01031-970 São Paulo, SP – Brasil

COMO PARTICIPAR OU COLABORAR

Grupos, coletivos, editoras e publicações anarquistas interessadas em participar e, ou, expor seus materiais pessoalmente entrem em contato pelo e-mail feiraanarquista(a)gmail.com
Se você não puder comparecer, há maneiras de se envolver com a Feira:
* Grupos e coletivos: podem enviar panfletos e, ou, painéis com informações sobre suas atividades para exposição das práticas anarquistas no mundo ou então enviar um video explicando o projeto que desenvolvem e o histórico do grupo.
* Editoras e publicações anarquistas: podem enviar seus materiais que nos encarregaremos da exposição e venda.
* Artistas: (amadores ou profissionais) podem criar e enviar um cartaz para a divulgação da feira. Mais informações para o envio de cartazes em http://feiranarquistasp.wordpress.com/cartazes/

domingo, 30 de junho de 2013

O PPGHIS/UFU convida para:







Defesa de Dissertação de Mestrado

Revolução Espanhola: uma análise dos processos autogestionários (1936-1939)

Apresentado por: Igor Pasquini Pomini

Banca examinadora
Profa. Dra. Dilma Andrade de Paula (UFU) - orientadora
Profa. Dra. Ana Lucia Gomes Muniz (UFT)
Profa. Dra. Jacy Alves de Seixas (UFU)

Local: Bloco 1H, sala 1H48 - Campus Santa Mônica
Data: 04 de julho de 2013 às 14:00 horas
Universidade Federal de Uberlandia

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lançamento do livro “Pela Educação e Pelo Trabalho e outros escritos” (Uberlândia e Patos de Minas)



O Coletivo Mundo Ácrata e a Biblioteca Terra Livre convida a todos e todas para o lançamento do livro “Pela Educação e Pelo Trabalho e outros escritos” de Adelino Tavares de Pinho. O primeiro lançamento ocorrerá no dia 22/06 às 13h30 na UNIPAM, Centro Universitário de Patos de Minas sala 125 bloco M, e o segundo lançamento acontecerá na Universidade Federal de Uberlândia no dia 24/06 às 14h00 na sala H55 bloco H Campos Santa Mônica.
A proposta é conversar e debater sobre os projetos pedagógicos postos em prática pelos anarquistas no período da Primeira República, assim como também discutir a figura de Adelino dentro do movimento anarquista e seu olhar sobre a educação.
Para esquentar o debate antes dos dias do evento, disponibilizamos um texto de Pinho publicado em 1933 no periódico anticlerical A Lanterna que trata de um tema, infelizmente, ainda hoje muito atual: a presença da igreja nas escolas(http://bibliotecaterralivre.noblogs.org/files/2013/01/Por-Cima-das-Escolas-Paira-as-Garras-Adelino.pdf).

http://bibliotecaterralivre.noblogs.org/
http://wwwacrata.blogspot.com.br/